Um ano de vazio.

Peço licença para não falar de futebol hoje. Preciso falar sobre 1 ano do incêndio no Ninho do Urubu que vitimou 10 crianças do futebol de base do Flamengo. O incêndio no Ninho precisa ser discutido e lembrado para que não volte a acontecer, mas quando reflito no desenrolar dessa tragédia eu sinto “um desgosto profundo”. 

De um lado temos o Estado (deveria punir culpados) e o Flamengo (deveria colaborar com o Estado na investigação e indenizar as famílias) e de outro lado temos as famílias (que deveriam ser abraçadas e cuidadas por Estado e Flamengo).

Falar sobre o primeiro grupo de envolvidos é difícil, pois é o reflexo da atual condição moral do nosso país. O Estado e o Flamengo (quando digo Flamengo, leia diretoria do Flamengo) demonstram uma preguiça para apontar culpados e indenizar as famílias das vítimas. 

O Estado foi ausente na fiscalização e na execução da lei. O Ninho deveria ter sido fechado por não ter a documentação necessária para funcionar. 

Deixaram funcionar e a tragédia ocorreu… então seria a hora do Estado investigar, julgar e punir. Mas não o fazem. Isso aqui é Brasil! Esquece! O Estado é preguiçoso!

O outro agente do primeiro grupo é o Flamengo. Este decidiu ignorar as “autoridades” e usufruir do Ninho como se tudo estivesse certo! Mas é Brasil!!!! Quem liga pra ter um imóvel regularizado??? 

Deixaram rolar e a tragédia ocorreu… Então seria a hora de se colocar à disposição das “autoridades” e das famílias. Mas o que vimos foi uma completa ausência desta diretoria. Tocaram o clube em 2019 como se nada tivesse ocorrido e começam 2020 torcendo para que as pessoas esqueçam que houve um incêndio com vítimas fatais. Ao ver que a pressão continua decidem fazer um pronunciamento cretino nas mídias sociais onde não respondem a uma pergunta relevante.

Senhorxs, me respondam… Qual a dificuldade de o Flamengo fazer a coisa certa? Qual a dificuldade de deixar uma mãe rezar no Ninho por seu filho no aniversário de sua morte??? Se essa diretoria viesse a público e dissesse… “Decidimos por não contratar o Gabigol e o dinheiro será usado para indenizar as famílias e fazer um memorial aos meninos”.  PRONTO!!!!   Mas eu não entendo o que passa na cabeça desses dirigentes.

Do lado oposto à incompetência e à vaidade temos as famílias – Minha esposa diz que eu não tenho fé na humanidade… e não tenho mesmo – Às famílias só espero que se agarrem em suas crenças, pois a sensação de impunidade é avassaladora! Ela pode destruir um lar que antes era saudável. E infelizmente esse caso ainda irá se arrastar por anos. Somente a fé pode os ajudar a carregar este fardo.

O caso do Ninho é um retrato do Brasil, com a morosidade e incompetência do Estado, a má vontade do Privado em fazer a coisa certa, e o resto se danando!

Saudações,
Chico Neto

Comentários do Facebook

Francisco Neto

Sou daqueles rubro-negros de berço que metade do meu armario é composto por camisas do Flamengo. Flamenguista típico, off-rio, nascido em Manaus em maio de 78, criado em BH educado em Guaratinguetá e formado em Brasilia. Casado com Aline desde 2003, outra rubro-negra que segundo conta seu pai “gol do Zico” foram suas primeiras palavras. Desde 2015 fui adotado por Bono, um Jack Russell que fica boladaço quando tem jogo do Flamengo. Adoro viajar e respiro futebol. Agradeço a Zico por fazer parte do PDA desde 2019 e poder compartilhar minha visão do futebol de uma forma descontraída.

Deixe uma resposta

Follow by Email
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram