Em Novembro de 2019…

Esse não é um texto sobre o Flamengo, sobre o Mister ou o Gabigol. Esse não é um texto sobre um time ser melhor que o outro ou uma torcida ser mais apaixonada que a outra. Esse é um relato de um torcedor qualquer, apaixonado por um clube qualquer, que viveu a maior emoção desportiva de sua vida. 

Preciso começar este post confessando algo a vocês, aos 41 minutos do segundo tempo quando o Filipe Luiz erra um passe no meio campo eu me sentei na arquibancada e comecei a me convencer de que hoje não era o nosso dia.

Chegamos no estádio ao meio dia e de lá até as 16:41 eu não parei de cantar. Em um estádio sem cobertura no meio do deserto peruano, debaixo de um sol que nos castigava, aquele passe errado de 3 metros do Filipe Luiz me derrubou. Todo o planejamento, todo o sacrifício para estar naquele lugar e tudo dando errado. Eu chegava a conclusão que essa era um daquelas partidas que acontecia de tudo e a bola não entrava.

Sentado na arquibancada comecei uma conversa interna onde o Francisco sensato confortava e aconselhava o Chico torcedor: “Isso eh só um jogo”, “Sua alegria e felicidade não pode estar associada a um time de futebol”, “Invista mais tempo na sua saude mental”, “Tente ficar um tempo sem futebol, vai te fazer bem”.

Não sei se isso também acontece com vocês…  comigo sempre que o Flamengo perde ou eu bebo além da conta, tenho essas discussões internas.

Voltando ao assento daquela arquibancada… Fiquei nessa DR interna por alguns longos segundos… só saindo desse estado mental no momento que começaram os gritos de “vai vai vai”.

Me levantei e vi que alguém carregava a bola na ponta oposta onde eu estava sentado (estávamos no lado direito da defesa do Flamengo e a jogada foi toda na esquerda do ataque). De qualquer forma não importa muito se estava perto ou longe, chega um momento do jogo que você deixa de pensar e analisar o jogo e pouco importa quem esta com a bola. Da arquibancada eu não me lembro bem como tudo aconteceu. Mais tarde na saída do estádio isso era muito comum entre os torcedores, poucos se lembraram como foram as jogadas dos gols. Acredito que já tenha lido algo sobre isso, que nossa memória se apaga em momentos de muita emoção, como um sistema de defesa.

Resumindo: Eu vi tudo, mas não lembro de nada! Eu vi a hora que a bola foi empurrada pra dentro por sei lá quem, e na verdade não importa por quem. O que importa é que entrou e nesse momento eu explodi. 

… estou emocionado, estou tentando relembrar o momento para tentar descrever o que foi meu sentimento mas sempre que me transporto para aquele momento eu começo a chorar…

Na hora que a bola entrou foi uma explosão de sensações, eu lembrava do meu pai ja falecido quem mais me ensinou sobre Flamengo. Será que ele se emocionou em 81 da mesma forma que eu? Será que de onde ele está ele consegue sentir minha emoção?

Eu gritava, chorava e não sabia o que fazer… abracei meu irmão que também não parava de chorar, abracei meus amigos que vieram de outro continente, abracei desconhecidos que compartilhavam daquela emoção única. 

O resto da história vocês já sabem, 3 minutos depois o Gabigol faz o segundo, tornando aquele momento mais inesquecível.

Vivi em Lima o momento, desportivo, mais emocionante da minha vida. Assim como tantos outros torcedores de tantos outros clubes também viveram. Eu de coração espero que todos vocês leitores, não importa o time, já tenham passado ou venham a passar por essa emoção que no final, na minha opinião, é a única coisa que nós torcedores levamos para toda nossa vida. Essas emoções não podem ser mensuradas e comparadas pelo tamanho do titulo. As vezes sentimos isso em uma virada de jogo ou mesmo em um empate arrancado nos últimos segundos. É Isso o que me apaixona no futebol, a emoção!

Ps1. O Francisco sensato continua falando, mas o Chico torcedor é muito cabeça dura.

Ps2. Não esperem de mim mais textos neutros… A soberba vai voltar!!!

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Francisco Neto

Sou daqueles rubro-negros de berço que metade do meu armario é composto por camisas do Flamengo. Flamenguista típico, off-rio, nascido em Manaus em maio de 78, criado em BH educado em Guaratinguetá e formado em Brasilia. Casado com Aline desde 2003, outra rubro-negra que segundo conta seu pai “gol do Zico” foram suas primeiras palavras. Desde 2015 fui adotado por Bono, um Jack Russell que fica boladaço quando tem jogo do Flamengo. Adoro viajar e respiro futebol. Agradeço a Zico por fazer parte do PDA desde 2019 e poder compartilhar minha visão do futebol de uma forma descontraída.

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