Cultivando torcedores

Minha mãe conta que quando eu tinha 4 anos de idade eu não saia de casa sem estar devidamente uniformizado com o manto rubro negro e que meu cabelo estivesse igual ao do Zico (ACREDITEM!!! na época eu tinha cabelo). Existem milhões de histórias iguais a minha espalhadas pelo mundo. E isso, sem dúvidas, é parte de um conjunto de fatores que fazem o futebol ser único. A paixão pelo futebol é plantada em nossa alma em algum momento de nossa infância e isso faz que o esporte transcenda às quatro linhas e se reflita em outros aspectos de nossa vida, comportamento, amizades, até casamentos (não é raro ver pedidos de casamento em dias de jogo Maracanã).

Saudosamente me lembro das peladas no recreio da escola onde o pau quebrava para saber quem seria o Zico. Óbvio que o vascaíno queria ser Roberto Dinamite, o atleticano queria ser Reinaldo, são paulinos queriam ser Careca… a lista vai embora. Fui abençoado de ter vivido minha infância na década de 80 e tenho inveja dos que viveram as décadas anteriores. Eu ia querer ser Zizinho, Pelé, Garrincha…

Em algum momento acredito que isso foi se perdendo. Hoje as crianças preferem ser Cristiano Ronaldo ou Messi. Nos campinhos de futebol vemos camisas de Real Madrid e Barcelona. E confesso que me preocupa que aquela semente que foi plantada em mim já não é plantada da mesma forma nas novas gerações. Podemos encontrar justificativas dentro e fora das quatro linhas, mas não interessa. O fato é que o Brasil vive uma escassez de ídolos locais, quando comparado a décadas anteriores.

É com muita felicidade que vejo a ascensão de Gabriel Barbosa como ídolo no Flamengo. Sua conexão com os torcedores mirins é tocante. Ver imagens da arquibancada do Maracanã com crianças pintando o cabelo e imitando a barba do Gabigol me emociona e me faz lembrar de meu pai, dos amigos da infância e de todos os sentimentos que me conectam com o futebol.

Realmente não é só futebol. E na próxima pelada eu quero ser o Gabigol só pra correr em direção a grade do campinho e fazer seu gesto me imaginando no maraca lotado.

Saudações Rubro-Negras,
Francisco Neto
twitter: @xiconeto

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Francisco Neto

Sou daqueles rubro-negros de berço que metade do meu armario é composto por camisas do Flamengo. Flamenguista típico, off-rio, nascido em Manaus em maio de 78, criado em BH educado em Guaratinguetá e formado em Brasilia. Casado com Aline desde 2003, outra rubro-negra que segundo conta seu pai “gol do Zico” foram suas primeiras palavras. Desde 2015 fui adotado por Bono, um Jack Russell que fica boladaço quando tem jogo do Flamengo. Adoro viajar e respiro futebol. Agradeço a Zico por fazer parte do PDA desde 2019 e poder compartilhar minha visão do futebol de uma forma descontraída.

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