O Presidente Sette Câmara desapareceu do Galo. Até quando aguentaremos tamanha omissão?

Na década de 80 saiu nos cinemas a genial paródia “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, um humor escrachado que conta a história de um piloto com medo de voar e um severo problema de alcoolismo que precisa assumir o controle da aeronave quando a tripulação passa mal devido a uma forte intoxicação alimentar.

Estamos em setembro de 2019 e nosso Presidente “piloto” desapareceu. Que ele não fala sobre futebol nós sabíamos desde o começo, pois diversas vezes deixou esse ponto claro. Ninguém sabe se o presidente está na Rússia acompanhando corrida do filho, se na sede tentando resolver problemas ou se na Cidade do Galo buscando soluções. Esse é o ponto, há semanas nosso presidente não concede uma entrevista coletiva.

Gostaríamos de ouvir respostas para o abismo que o clube se encontra. Apenas pra resumir 2019, perdemos o Mineiro tendo vantagem de empate na final, fomos humilhados na fase de grupos da Libertadores, destruídos pelo rival azul na Copa do Brasil, diversas derrotas seguidas no Brasileirão e a cereja do bolo, a desastrosa semifinal tanto na Argentina quanto no Mineirão contra o 17º colocado do campeonato local.

Some se a isso, a incapacidade do omisso Sérgio Câmara em contratar um treinador profissional. Foi rejeitado por Thiago Nunes, Rogério Ceni, Sampaoli e Osório, até então tomar a bisonha decisão de efetivar o estagiário Rodrigo Santana repetindo erro idêntico em 2018 quando efetivou Tiago Larghi. Não só está desaparecido como o presidente não aprendeu nada com seus erros. A tão falada austeridade também não funciona. O Clube Atlético Mineiro continua na rotina de atrasar salários de seus jogadores.

Era final de 2017 e eu assistia animado a 1ª entrevista coletiva de Sérgio Sette Câmara oficialmente empossado nosso presidente. Naquela época eu escrevi: “Em sua apresentação à imprensa hoje, não há um atleticano que não esteja esperançoso com o triênio administrado por ele. Conduzindo uma mudança profunda no clube, o novo presidente parece trazer a experiência de sua vida profissional para dentro do Galo. Numa segurança absurda, falas coerentes e um desenho estratégico, posso afirmar que fui surpreendido. Como afirmou o presidente, agora é “cada macaco no seu galho.” Ao longo da entrevista eu tive que contar: por 12 vezes Sette Câmara afirmou “esse assunto é sobre futebol, então quem responde é Alexandre Gallo.” E em nenhuma das vezes me pareceu que Sette Câmara estava fugindo pela tangente, mas sim que a partir de agora saberemos quem cobrar e sobre o que cobrar.”

Hoje relendo minhas palavras registradas, enxergo o quão inocente fui. Como advogado o presidente parece ser bem sucedido e com vasto conhecimento. Mas apenas isso não basta para conduzir o maior clube de Minas Gerais. Planejamento realmente não parece a máxima do Galo. Mas mais perigosa que essa total falta de visão e entendimento, preocupa-me a falta de transparência. Ninguém sabe o que realmente passa no clube. O Presidente não fala sobre futebol. Os bastidores advocatícios estão mais na mídia do que futebol. Não sabemos se o ciclo de contratações está encerrado. Não temos novidades sobre as finanças do clube. O Galo hoje é um terrível buraco negro de informações, oculto pela arrogância de uma liderança medrosa e omissa.

A política do bom e barato cobrará seu preço. Jogar a série A do Brasileirão não é enfrentar URT, La Equidad ou Cólon. Teremos pela frente Palmeiras, Flamengo, Corinthians, Grêmio… Se o Galo está sem comando, talvez seja hora da torcida acordar e tomar de volta o que é seu de direito. Antes que seja tarde demais.

E pra começar, volta Cuca!

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