Corinthians: De quarta força à heptacampeão!

Por André Marcelino, leitor do papo de arquibancada.

Depois de liderar o campeonato desde à quinta rodada, o Corinthians sagrou-se novamente campeão brasileiro, o sétimo título de sua história, na última quarta-feira após virada frente ao Fluminense, jogando em Itaquera com o apoio de mais de 45 mil torcedores. O time paulista saiu perdendo com mais um gol sofrido em bola parada, jogada que tem sido uma das únicas fraquezas dessa equipe o ano todo, porém com um início de segundo tempo avassalador, a equipe liderada por Jô virou o jogo pra 3×1 e a torcida alvinegra paulista finalmente pôde soltar o grito de heptacampeão brasileiro.

(Foto: Nelson Perez/Fluminense FC/Divulgação)

É até incrível imaginar que esse título viria, ainda da forma como foi, depois de toda a desconfiança da imprensa, da euforia dos maiores rivais pelas contratações de peso de seus respectivos times, e até do pé atrás da própria torcida no início da temporada já que o Corinthians vinha de um frustrante final de ano em 2016, onde deixou escapar uma vaga na Libertadores e terminou o ano sem conquistas expressivas.

Já em 2017, o Corinthians, ao contrário, dos rivais passava por uma reformulação no elenco e definiu que continuaria a apostar no novato Fábio Carille, ex-auxiliar de Mano e Tite, para reconstruir a base do time alvinegro. Como contratações, trouxe poucos reforços visto as dificuldades financeiras. Gabriel, volante que atuava no arquirrival Palmeiras, e que após uma série de lesões, tornou-se quarta opção do meio campo alviverde; o zagueiro Pablo, jogador pouco conhecido pelos brasileiros, atuava na França e teve passagens sem brilho pelo Brasil; Jadson que voltava à equipe após uma temporada sem muito sucesso na China; E trouxe Jô, atacante que viveu seu auge em 2013/2014 mas que precisava provar pra si mesmo que poderia se desvencilhar dos rótulos de baladeiro e indisciplinado que o perseguiam. Apostou também no terrão, celeiro de bons jogadores mas que vinha sendo pouco aproveitado e os talentos que surgiam logo seguiam seus caminhos para fora do clube. Investiu em Guilherme Arana para a lateral esquerda e em Maycon, que retornava de empréstimo junto a Ponte Preta para formar o meio de campo

Além desses, o time manteve a espinha dorsal da equipe com Cássio, Fágner, Romero e Rodriguinho, remanescentes da fraca temporada passada.

Veio o primeiro teste de fogo, e o Paulistão 2017 mostrou que aquela equipe dava sinais de poderia dar trabalho. Venceu todos os maiores rivais, destaque para vitória com cara de Corinthians, contra o Palmeiras, com um jogador a menos. Eliminou São Paulo nas semifinais. Acabou com o sonho de revanche da Ponte Preta por 77 e conquistou mais uma vez o título de campeão Paulista.

(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

No entanto, nem mesmo um título regional pode afastar as desconfianças na equipe, ainda ouvia-se quem duvidasse da capacidade do elenco e do técnico alvinegro, era mais fácil acreditar que o time brigaria para não cair, do que lutar para ficar no pelotão da frente no campeonato nacional.

E o Corinthians mais uma vez se superou, mostrou tudo que a torcida gosta de ver em campo. Após a vitória contra o Vasco no Rio, o Corinthians assumiu a liderança. Os adversários enchiam as redes sociais de piadas pois tinham a certeza absoluta que o “cavalo paraguaio” não se manteria muito tempo ali, na frente da tabela.

Vieram as vitórias contra os favoritos da temporada Grêmio e Palmeiras, ambas jogando fora de casa. Nesse momento o Corinthians já provava em campo, não somente para os outros, mas também pra si próprio, que brigaria forte pelo título de maior do Brasil.

Naquela altura, o Corinthians se tornou o time a ser batido, estilo aguerrido, determinado, forte na defesa, focando muito mais na tática do que na técnica, e extremamente eficiente quanto atacava, era Corinthians de alma e coração.

(Foto: http://espn.uol.com.br)

O campeonato estava apenas na metade e já fazia história por ser o primeiro time a terminar um turno inteiro de forma invicta na era dos pontos corridos. De desacreditado à imbatível, o Corinthians fez incríveis 47 pontos, com 14 vitórias de 19 possíveis.

E então, o time que parecia que não perderia mais, sucumbiu para o Vitória e Atlético Goianiense, ambos na zona de rebaixamento. E depois, outra derrota para o rival Santos e outras mais viriam. O Corinthians parecia ter sentido as limitações de ter um elenco reduzido tecnicamente, sofreu muito com o desgaste físico de suas principais peças, e fez campanha de rebaixado na primeira metade do returno.

Os rivais que não encontravam maneiras de se aproximar do líder, viram que aquele Corinthians do primeiro turno, mortal e eficiente, havia sentido o golpe e passaram a acreditar que o alvinegro paulista poderia realmente “despencar” – não é mesmo Renato Gaúcho? Enquanto a torcida temia um desastre, os adversários preparavam a arrancada final.

(Foto: Bruno Ulivieri/Raw Image/Gazeta Press)

E veio a decisão, o jogo que definiria se o time estaria pronto para ser campeão ou seria um time que estaria fadado ao vexame. E justo no maior clássico paulista, o derby Corinthians x Palmeiras traçaria os rumos do futuro campeão brasileiro. E o Corinthians, como uma fênix, ressurgiu das cinzas, colocou o torcedor para sofrer e rezar naquele domingo chuvoso, e mostrou que era a hora de dar a volta por cima, contra todas as desconfianças, contra todas as críticas, venceu, pela terceira vez no ano, seu maior rival e abriu de vez o caminho para o tão inesperado, porém merecido título brasileiro. Era o empurrão que faltava para renovar as esperanças e a confiança de que a conquista viria. Depois disso, o Corinthians ganhou de todos que encontraram seu caminho até ser matematicamente considerado campeão.

(Foto: Getty/ Alexandre Schneider)

Sou corinthiano desde que nasci, 27 anos atrás, ano do primeiro título brasileiro. Meu pai conta histórias de como o corinthiano sonhava em ser campeão nacional, já que até então o o clube era visto como força apenas regional – aquela história de quarta força não é de agora.

E hoje, celebrando o heptacampeonato de sua história, vejo que esse atual Corinthians, é muito parecido com aquele de Neto, Ronaldo, Dinei e Tupãzinho – muito mais transpiração do que inspiração. Mas é exatamente do jeito que Corinthians gosta de ser. Não nos entitulamos como o “bando de loucos” à toa. Corinthiano que se preza não torce pra ver drible e gol bonito. Gosta de gol sofrido, na raça, batendo na trave antes de entrar, como o de Jô na virada contra o Flu. Vibra com carrinho na lateral para garantir o resultado, assim como Romero tanto faz. Grita nas defesas com a ponta dos dedos, como as de Cássio. Esse papo de que “nunca foi fácil”, parece clichê, mas para o Corinthians é marca registrada.

Parabéns Sport Club Corinthians Paulista, de tantos heróis improváveis ninguém pode te desacreditar agora. Tu és indiscutivelmente o campeão brasileiro!

(Foto: Alex Silva/ Estadão)

Abraços!

André Marcelino.

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Fernando Michelutti

São Paulino desde 30 de maio de 1982 - O São Paulo Futebol Clube foi, e continua sendo, sua primeira paixão na vida. É fanático por futebol e se deixar assiste até a 6° divisão do campeonato inglês naquele sábado chuvoso com direito a mesa redonda e replay dos gols. Tem como hobby colecionar camisas de clubes nacionais e internacionais, além de visitar estádios e sedes de clubes sempre que esta viajando ao redor do globo. É casado com a Santa Raquel - que nunca foi enganada sobre seu primeiro amor. Também é pai da Duda, do Dani e do Pedro - uma nova geração de são paulinos que vem forte rumo ao Hepta. Agora, junto com grandes amigos, também é blogueiro aqui no papo de arquibancada!

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