Qual tipo de dirigente seu clube precisa?

Um time.

Por definição, um time é um grupo de pessoas empenhadas em uma mesma atividade conjunta.

Formar um time, pensando em um aspecto mais amplo do que o futebol, nunca foi tarefa fácil. É necessário ter muita habilidade para selecionar pessoas com habilidades, perfis, potencial e características distintas que, ao serem unidas, são transformadas em algo maior.

Não precisamos só de grupos de jogadores. Precisamos de um monte de guerreiros, obedientes, engajados, que se sacrifiquem e queiram muito ganhar em nome de um time e uma torcida que muitas vezes ele ainda nem conhece. Deve ser muito complicado fazer isso.

Quero parar aqui e falar um pouco sobre os recrutadores que temos no futebol brasileiro hoje, formando nossos times. Para felicidade de uns e infelicidade de outros. =/

O primeiro tipo de recrutador é o estelar. Aquele que tem muitos recursos, respaldo e alta expectativa sobre o seu trabalho. Um tipo Alexandre Mattos, Rodrigo Caetano, sabe? Com medo de falhar e sucumbir à pressão de diretoria, torcida e imprensa, acabam contratando mais jogadores do que seria necessário (em alguns casos 4, 5  atletas da mesma posição e característica), e os dá ao treinador já sabendo que quase a metade será encostado, descartado ou negociado em pouco tempo. Consegue ver isso acontecendo no Palmeiras? O time ontem foi eliminado da Libertadores improvisando Dudu na armação, com Guerra, Moisés, Raphael Veiga, Michel Bastos, Zé Roberto e Hyoran todos fora.

O segundo modelo de recrutador que temos no Brasil são os populistas. Normalmente não tem estudo ou experiência no futebol, mas sabem que “jogar pra torcida” é uma estratégia que funciona e por isso o fazem com frequência. Leco, Pinotti e Nepomuceno são alguns exemplos. Aparentam modernidade, planejamento, mas na verdade estão usando métodos bem antigos como repatriar ídolos do passado que mal conseguem andar, injetar dinheiro do bolso pra mostrar dedicação ao time e até mesmo dispensar jogadores que são importantes tecnicamente apenas para não ter o trabalho de através de boas conversas, processos, regras e proximidade, manter o bom clima no elenco e comissão técnica. Consegue ver isso acontecendo no São Paulo? Lugano, Ceni, Hernanes, dispensa do Cícero, do Lucão, contratação do Pratto. Nada disso tinha objetivo técnico ou estudo por trás. Tudo foi decidido na base do “presente pra torcida”.

O terceiro e último grande tipo de recrutador do futebol brasileiro é o mágico. Inclusive nesse grupo está a grande maioria. Dele fazem parte todos os que precisam montar grupos de 30-35 jogadores sem 1 real no bolso, dívidas, pressão da torcida e concorrência interna e externa. Não se engane quem acha que só  os times pequenos fazem parte disso. Os dirigentes do Corinthians, Santos, Sport, Botafogo, tantos outros…mesmo com clubes quebrados tem que se virar e formar times competitivos. Esses que citei conseguiram com louvor, mas o fato é que a maioria não consegue. Usam de tudo, empréstimo, aporte de investidor, vitrine de empresário, refugo da Europa, olheiros, base. Tem que se virar.

A pergunta que fico me fazendo é: o que vem primeiro? meu time está assim por conta desses dirigentes, ou os dirigentes agem assim por conta da situação do time?

Será que Alexandre Mattos contratou tanto porque não queria dar motivos para falarem do seu trabalho após uma possível eliminação? Será que o Pinotti demitiu o Rogério Ceni por entender que estava escalando errado ou porque estava com medo de cair e não ter feito nada? Será que o Flávio Adauto apostou em jogadores pouco expressivos e de mercado alternativos porque não tinha saída ou porque ele realmente acredita em um elenco homogêneo e sem estrelas? Não dá pra ter certeza.

Se eu pudesse, traria para o meu time um dirigente de fora…talvez aquele alemão que depois da Copa de 2002 decidiu que tudo no futebol da Alemanha precisava mudar, e mudou. Mas será que ele aguentaria a pressão? Será que nós estamos preparados para ter a paciência e dar o tempo que ele precisaria? Não sei.

Ou será que poderíamos trazer os olheiros do Porto de Portugal, que garimpam muito bem e revendem por ainda mais? Será que eu ficaria contente com meu time apenas fazendo lucro, mas com pouca expressividade internacional?

Será que eu gostaria de ter Rodrigo Caetano, renomado? Será?

Não sei…está muito difícil entender o que se passa no nosso futebol hoje.

Nada parece lógico, mas é por isso que é tão empolgante.

Abraço

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