Entenda em 5 passos como Daniel Nepomuceno destruiu o legado de Alexandre Kalil

“Contra o Tijuana nós entramos não foi de salto alto não, foi de salto alto triplo. E o salto alto, ao contrário do que todo mundo pensa não é só do jogador não, é do cartola, é do técnico, do preparador físico, todo mundo entra de salto alto.”

Essa declaração foi dada por Alexandre Kalil em 2013 mas poderia ser perfeitamente adaptada para o Galo versão 2017. Tomado de uma soberba que não lhe convém, o Atlético junta os cacos do altíssimo investimento jogado no lixo. Com a eliminação/humilhação na Copa do Brasil, um campeonato brasileiro 20 pontos atrás do líder e uma tarefa indigesta numa improvável Libertadores, o ano do Galo praticamente encerra-se em agosto.

Nesse momento de reflexão e caça às bruxas, existe apenas um único culpado: DANIEL NEPOMUCENO. Escrito em letras garrafais para que o atleticano saiba quem xingar nos próximos jogos. Em apenas 3 anos Nepomuceno destruiu o legado deixado por Kalil após assumir o Galo na melhor fase de sua história. Campeão da Libertadores, Recopa e recém campeão da Copa do Brasil. A situação era tão favorável, que Nepomuceno foi eleito em chapa única sem oposição. Novo em idade (assumiu a presidência aos 36 anos) após 6 anos como vice presidente, a ideia era trazer modernidade ao clube. Junto com a tal modernidade veio a apatia e a falta de leitura de ambiente.

Onde foi que ele errou?

Erro 1: Falta de prioridades
Já dizia minha avó que cachorro com 2 donos morre de fome. Imagine um cachorro com 3 donos? Essa é a situação vivida pelo Galo hoje. Se ser presidente de um clube de futebol já demanda um tempo absurdo, imagine um presidente que acumule essa função com a secretaria de planejamento de uma cidade com 2,5 milhões de habitantes mais a função de vereador. Soa inacreditável, mas Nepomuceno está “presidente” do Galo, secretário de planejamento de BH e vereador eleito da cidade. Parece um indivíduo cheio de iniciativas, mas acabativas não parecem preencher seu curriculum. A impressão que temos é que ele falha nas suas 3 frentes de trabalho.
Política a parte, o foco aqui é criticar seu “trabalho” pelo Galo. É bastante irônico um secretário de planejamento que não tem senso algum de planejamento para seu clube. O Galo esfacelou-se graças à soberba e falta de planejamento.

Erro 2: Estádio, Estádio, Estádio…
10 entre cada 10 entrevistas dadas pelo presidente ele cita a construção do estádio. Obsessão do clube e do presidente, temos a impressão que o espírito do mineiro Juscelino Kubitscheck baixou em Nepomuceno. Megalomaníaco, JK morria de medo que Brasília não fosse inaugurada em seu mandato e os louros da construção fossem para o presidente seguinte. Seus 50 anos em 5 serviram pra construir a capital e afundar o país em dívidas. Nepomuceno padece do mesmo mal. Está absolutamente decidido a ser o homem que “inaugurou” a Arena MRV. Mas atleticano esperto sabe perfeitamente que o grande responsável por esse colosso não atende pelo nome de Daniel, mas sim de Alexandre.

Erro 3: Ausência de diretoria de futebol
Infelizmente o grande Maluf travou uma dura batalha contra um câncer. Durante os quase 18 meses de tratamento até seu falecimento, o Galo decidiu pela não contratação de um diretor de futebol substituto e coube à Nepomuceno mais essa função em seu amplo repertório. Nosso total respeito ao Maluf, mas não seria insensibilidade alguma a contratação de um novo gestor do futebol enquanto aguardava a recuperação. Mesmo após o falecimento de Maluf o clube optou por não ter um diretor de futebol; dividiu as funções de Maluf entre diversos diretores, extinguindo assim o cargo. O motivo? Ninguém sabe. Ninguém entende.

Erro 4: Montagem de elenco
Sem o menor cacoete para montagem de elenco, Nepomuceno agiu como um verdadeiro jogador de Cartola. Foi as compras e entupiu seu elenco de atacantes. Pratto, Robinho, Fred, Valdivia, Rafael Moura, Clayton… a lista é grande. Abdicou completamente dos investimentos num plantel equilibrado. Passou 2 anos de seu mandato sem contratação de zagueiros ou volantes. O resultado foram as defesas super vazadas em 2015/16. Apenas em 2017 investiu em Elias, um volante mais tarimbado. Já a zaga? Continua nos pés de um zagueiro de 38 anos de idade e outros vindos dos juniores.

Erro 5: Guilhotina de treinadores
Se os resultados não vão conforme o esperado, a corda arrebenta no mais fraco. Em 3 anos Nepomuceno conseguiu a proeza de demitir um técnico vice campeão brasileiro, outro demitido poucos dias antes de uma final de copa do Brasil e outro que caiu sem ter sido eliminado de nenhuma competição. Levir, Marcelo Oliveira e Roger eram sim questionados, mas sem o respaldo da diretoria e tendo de montar times com o elenco desequilibrado que receberam, fizeram trabalhos razoáveis.

Parece que tem gente que ainda não entendeu seus próprios erros.
Mas lembra do salto alto citado por Kalil?
Infelizmente ele chegou ao Galo:
“Muito investimento. Acho que não pode ser eliminado dessa maneira. A porrada tem que vir e a cobrança tem de vir mesmo. O investimento foi alto demais. Jogadores que sabem levantar taça, agora tem que querer mais.”

 

 

 

 

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