Roger Machado e seus 3 grandes erros

Após um grande trabalho no Grêmio, Roger surgiu no mercado nacional de técnicos como um estudioso. Com o aval de Tite que o referendou como o nome ideal para substituí-lo no Corinthians, Roger recebeu um status que ainda não possui.

Em sua passagem de quase 8 meses no Galo, seus resultados parecem extremamente favoráveis: Campeão Mineiro, melhor campanha da Libertadores, esteve a um empate das semifinais da Copa do Brasil e nas semifinais da 1ª Liga. No brasileiro porém jogou o ano fora ao destruir a mística do Horto. Se o ditado antigo era “Caiu no Horto tá morto”, podemos dizer que Roger caiu em casa.

Ser engenheiro de obra pronta é fácil, mas podemos aprender com os erros. No caso de Roger eles se dividem em 3 grandes problemas:

1 – Adaptação ao clube

Quando Guardiola assumiu o Bayern, todos esperavam que ele fosse implementar o tiki-taka no clube alemão incluindo a função do falso 9 que era executado por Messi no Barcelona. Enganou-se quem viu o trabalho lá realizado. Guardiola não fez o Bayern adaptar ao seu estilo, mas ele próprio adaptou-se ao futebol alemão. Usou o centro avante tradicional com Müller.
Talvez por imaturidade e pouca vivência na função de técnico, Roger pecou nesse aspecto. O Galo vinha de anos vitoriosos trabalhando no modelo “Galo Doido”, que foi apelidado por Cuca de “bagunça organizada.” Ao invés de aproveitar essa característica do clube mantendo a intensidade ofensiva e adaptando-se à ela, Roger quis adaptar o Galo ao seu modelo moroso e lento de ataque. Transformou o Galo vertical num time lento, com excessivas trocas de bola (jogos com mais de 600 passes trocados entre os jogadores) e perfeccionista na finalização. Se antes o Galo doido finalizava 30 vezes por jogo pra fazer 3 gols, o time de Roger caracterizou-se por poucas finalizações. Quem não arrisca não petisca.

2 – Falta de padrão de jogo

Daremos um desconto à Roger pelo excesso de jogos e lesões que acometeram o Galo no 1º semestre. Mas durante todo o período o treinador não foi capaz de definir um padrão de jogo. Em todo o seu trabalho podemos contar em uma mão o número de grandes partidas do Galo: vitórias contra Godoy Cruz, as finais do Mineiro contra o Cruzeiro e a estréia contra o Flamengo no Maracanã. Esses jogos citados tinham uma característica em comum, a presença de 3 volantes. Se considerarmos que Elias e Rafael Carioca são volantes passadores com menos potencial de marcação, era essencial ter um 3º volante “pitbull”. No Galo Doido de Cuca e Levir tínhamos Pierre e Leandro Donizete cuja função primordial era desarmar. Ao optar por apenas dois volantes sem pegada, Roger quis adaptar Robinho e Cazares para a função de marcação por zona. A consequência foi um ataque lento e constantemente cansado, pois Robinho que fora artilheiro do Brasil em 2016 ficou longe da área adversária e corria o campo inteiro marcando o lateral. O mesmo ocorreu com Fred que passava a partida inteira correndo atrás da bola e não a bola procurando o 9 matador.

3 – Montagem de elenco

Roger foi anunciado no dia 30 de novembro. Teve todo o mês de dezembro, a pré temporada de janeiro, o campeonato mineiro, a Libertadores… e não conseguiu identificar a necessidade de um atacante de velocidade no elenco. Sabemos que cabe à diretoria contratar e vender jogadores, mas Roger não foi capaz de convencer Nepomuceno que o Galo precisava de um atacante rápido para puxar contra ataques. Porém, foi Roger quem indicou os inoperantes Marlone e Valdivia, que são jogadores úteis no elenco mas que nunca foram a posição de prioridade. O Galo passou o semestre inteiro sem um reserva para o debilitado Luan.

Tenho convicção que em 5 anos Roger será um técnico vencedor e muito acima da média, mas precisa ser testado em clubes menores até então definir seu perfil de trabalho. Quando ele chegar lá, e ele chegará, o Galo estará de braços abertos para recebê-lo de volta.

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