Juventus de Turim: a reconstrução de um gigante!

Recentemente viajei para a Itália e tive a oportunidade de visitar a cidade de Turim, na região de Piemonte – norte da Itália. A cidade de Turim tem aproximadamente 1.700.000 habitantes e é a quarta maior cidade italiana. É a casa de dois grandes clubes italianos: Torino e Juventus – que juntos somam, nada mais, nada menos, que 42 scudettos! A Juventus é o clube de maior torcida na Itália.

Foi fundada em 1897 e desde meados de 1920 pertence a família Agnelli que possui cerca de 65% das ações do clube. Os Agnelli são também proprietários de um fundo de investimento chamado Exor N.V., que possui o controle acionário de uma série de empresas na Itália, entre elas, a Fiat, a Ferrari e outros conglomerados gigantescos ao redor do mundo, como o Economist Group – sócios majoritários da Pearson PLC, Financial Times e etc.

A Vecchia Signora, como também é conhecida, é o maior clube campeão italiano de todos os tempos com 35 títulos da Série A e nos últimos anos é dona da maior hegemonia da história do futebol italiano:

  • 6 títulos da Seria A  de maneira consecutiva,
  • 5 super copa da Itália,
  • 3 copas da Italia e
  • 2 vice campeonatos da UEFA Champions League.
Na sede do Clube em Turim

Porém antes de chegar a esse fantástico ciclo de vitórias, o clube se viu envolvido em um dos maiores escândalos do futebol Italiano e mundial: o Calciopoli – um esquema de manipulação de resultados na temporada 2005-06 que envolveu os principais clubes do país, como Milan, Fiorentina e Lazio. Como punição, a Juventus foi rebaixada para a Série B e começou a competição com 17 pontos a menos do que os rivais.

Após o acesso, foram 4 temporadas com resultados medianos. Na temporada 2010/11 – ultima antes do começo da hegemonia, terminou o Italiano em 7º lugar, a 27 pontos da líder Inter.

O que então causou tamanha mudança no comportamento do clube e reconduziu a Juventus à sua grandeza?

A resposta inclui vários fatores porém todos eles passam por um nome: Andrea Agnelli!

Andrea é filho de Umberto Agnelli – ultimo membro do clã que presidiu a equipe italiana em meados dos anos 70 – após demonstrar todo seu talento no mundo dos negócios, foi presidente do grupo IVECO e trabalhou também na fabricante de cigarros norte-americana Philip Morris. Andrea assumiu a presidência do clube em 2010.

Dentre as várias contribuições para a reestruturação do clube, gostaria de citar três fatos:

Reequilibrou as finanças do clube e reconduziu a equipe ao crescimento sustentável. Hoje por exemplo, a Juventus tem como principal patrocinadora uma das empresas do Grupo Fiat: a Jeep. O contrato atual é válido até a temporada 2020/2021 e rende ao clube algo em torno de 17 milhões de euros (R$ 56 milhões) por temporada.

Alinhou-se com um equipe extremamente competente, em especial o atual vice presidente do clube: o ex-ídolo bianconero Pavel Nedvěd e o diretor esportivo Giuseppe Marotta. Ambos foram responsáveis por contratações extremamente acertadas, dentro e fora de campo, como por exemplo: Antonio Conte, Massimiliano Allegri, Paul Pogba, Andreas Pirlo, Vucinic, Mario Mandžukić, Juan Cuadrado, Paulo Dybala, e tantos outros.

A construção do Juventus Stadium, que se deu no mesmo local do antigo Delle Alpi. O estádio custou “apenas” 122 milhões de euros, menos do que 11 das 12 arenas construídas para a Copa do Mundo no Brasil.

Com capacidade para 41.254 torcedores, o estádio vive sempre lotado e ganhou o apelido de Fortaleza. Este, sem dúvida nenhuma, foi o grande trunfo de Agnelli. Para exemplificar a força do estádio na vida da Juventus: a partir do próximo dia 01 de Julho de 2017, o estádio passará a chamar-se Allianz Stadium , em mais um acordo multimilionário firmado até 2023 pelos naming rights do estádio bianconero.

A frase que citei acima: “…o estádio vive sempre lotado…” não se dá apenas em dias de jogos. Junto ao estádio existe um grande complexo nomeado Area 12 que conta com um shopping center, supermercado, diversas lojas, loja e museu da Juventus e uma grande área para eventos comerciais.

Abaixo, algumas outras fotos que tirei do local:

Placa Indicativa do Complexo
Shopping A12
Allianz Stadium visto de dentro do complexo A12
Loja da Juventus e entrada para o Shopping a partir do Allianz Stadium

Tive a oportunidade de visitar o museu, que é sensacional – e que desde a sua fundação em 2012, já recebeu mais de 700.000 visitantes! (isso até o meio do ano de 2016)

Com a última “orelhuda” do clube…Já faz um tempo!
Pegando umas dicas com o gênio (dentro de campo) Michael Platini

A foto abaixo mostra o ingresso que comprei – a opção mais barata de entrada custa 15 euros.

Ingresso Museu Juventus – 15 euros

Uma conta rápida aqui: 700.000 x 15 = 10.500.000 / 4 = 2.625.000 euros por ano apenas de receita proveniente do Museu do Clube! Sendo que existem várias outras opções como: Tour guiado ao campo e demais areas do estádio, passeio de ônibus pela cidade conhecendo os locais que estão atrelados a história do clube e várias outras opções para os sócios torcedores do clube (indico a leitura do post sobre o assunto de STs na Europa, do meu amigo Tomaz Araujo aqui no papo de arquibancada).

O que os clubes brasileiros podem aprender com tudo isso?

Em resumo, a tríade da boa gestão:

  1. Estratégia: define os rumos que a empresa deverá seguir por um período escolhido.
  2. Executiva: encarrega-se de entregar estas metas, ser o elo entre o proposto e a realização.
  3. Operacional: que realmente na prática faz o plano acontecer.

foi seguida a risca!

Mesmo sendo gerido por um grupo multimilionário, o clube funciona como uma empresa privada, e assim sendo, preza pelo lucro e emprega a meritocracia em todas as suas ações! (para mais informações a respeito desse aspecto, vale a pena ler a reportagem de Rafael Kato, da revista Exame).

Se os clubes brasileiros quiserem almejar o sucesso dentro e fora dos gramados, a Vecchia Signora, dá uma aula e tanto de como realizar tal tarefa!

Um grande abraço,

Fernando Michelutti.

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Fernando Michelutti

São Paulino desde 30 de maio de 1982 - O São Paulo Futebol Clube foi, e continua sendo, sua primeira paixão na vida. É fanático por futebol e se deixar assiste até a 6° divisão do campeonato inglês naquele sábado chuvoso com direito a mesa redonda e replay dos gols. Tem como hobby colecionar camisas de clubes nacionais e internacionais, além de visitar estádios e sedes de clubes sempre que esta viajando ao redor do globo. É casado com a Santa Raquel - que nunca foi enganada sobre seu primeiro amor. Também é pai da Duda, do Dani e do Pedro - uma nova geração de são paulinos que vem forte rumo ao Hepta. Agora, junto com grandes amigos, também é blogueiro aqui no papo de arquibancada!

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