A receita para o Rebaixamento

Muito se discute no futebol sobre a receita de um time campeão. Quando este assunto é discutido, os itens mais comuns na boca do povo necessários para fazer um time campeão são:

– Elenco

– Treinador

– Torcida/Estádio

– Artilheiro/Craque/Jogador decisivo

No entanto, não quero discutir a receita que um time precisa seguir para ser campeão. Ao longo dos anos, temos aprendido sobre isso. Quero falar, com a experiência de 2 rebaixamentos do meu Verdão, sobre a receita que faz um time ser rebaixado.

Há vários passos comuns a serem seguidos por quem é rebaixado. Dificilmente um time rebaixado não segue esse script.

Listo abaixo o passo-a-passo do rebaixamento:

  1. Salários atrasados – este é um item importante. Todo trabalhador precisa receber em dia. Imagina ter que bater um pênalti na frente de 40 mil pessoas preocupado em como vai pagar a parcela do Porsche Cayenne que você acabou de comprar. Não tem como estar focado!
  2. Trocas de treinadores – todo time rebaixado troca no mínimo 1 vez de treinador. O Palmeiras de 2002 começou o campeonato com Luxemburgo, foi treinador interinamente pelo PC Gusmão, então assumiu o Murtosa, que durou 4 jogos. Novamente de forma interina, Karmino Colombini assumiu por 1 jogo, para então consumar o rebaixamento com Levir Culpi. Outro exemplo mais recente, foi o Internacional do ano passado. Começou com Argel Fucks, assumiu o Falcão, que durou 5 jogos. Então veio Celso Roth e pra finalizar os últimos 3 jogos, Lisca. Há exceções a essa regra, como o Flamengo campeão de 2009, que começou com Cuca e terminou com Andrade.
  3. Jogadores velhos/refugos de outros times – este é um dos mais importantes itens da receita. Veja o caso do Vasco 2015. Apesar da melhora na reta final do campeonato, o time tinha refugos como Rodrigo (zagueiro), Diguinho (volante), Andrezinho (meia), Serginho (volante), Jorge Henrique (atacante), Eder Luis (atacante). Como último exemplo, o Palmeiras de 2012 foi resgatar Obina e Corrêa. O Corinthians rebaixado de 2007 tinha Finazzi (atacante) e Vampeta em seu elenco. Precisa de mais?
  4. Discurso da diretoria/jogadores/técnico e péssimos dirigentes – quando um time está na zona de rebaixamento, o discurso é sempre o mesmo: “Não fomos felizes nesta rodada. Agora é trabalhar para recuperar na próxima”. Tem dirigente que deveria estar na Sibéria por discursos como este, mas permanece pelas terras de Vera Cruz.
  5. Vazamento de informações – este é outro item clássico. Quando um time está em crise, leia o blog do Cosme Rimoli. Costumo falar que, como o Coringa, ele é o agente do caos. Ele adora escrever sobre brigas no vestiário, picuinha de treinador com o craque do time, pressão da diretoria, etc. Times que caminham para o rebaixamento geralmente sofrem deste mal. “O vestiário não está controlado”, noticiam os grandes veículos de imprensa.
  6. Reviravoltas inesperadas – o Palmeiras de 2012 tinha esse costume, e muitos outros times rebaixados também. Joga bem, mas perde. Ataca 10 vezes e não faz gol. O outro time vai ao ataque uma vez, faz o gol, se fecha e vence o jogo. Aí, mais uma derrota na conta do time que quer fugir da degola. Lembro-me do jogo que consumou o segundo rebaixamento do Palmeiras em 2012. O time estava ganhando do Flamengo no Rio, por 1 a 0 (gol do Vinícius), com um jogador a mais. No único ataque do Flamengo, oriundo de um chutão, a bola sobra para o Vagner Love que chuta, a bola desvia no zagueiro e vai para o gol. O 1 a 1 sela o rebaixamento do Palmeiras.
  7. Pichações da torcida – perde-se um clássico e os muros do estádio amanhecem pichados. Exemplos não faltam.
  8. Contratação do Salvador da Pátria/Pacotão de Reforços – a diretoria procura acalmar imprensa e torcida com um jogador ou um pacotão deles, contratados no apagar das luzes do campeonato. Geralmente, tem que vir para resolver. Nunca dá certo. E estes jogadores saem com o rebaixamento no currículo.
  9. Retiro no interior – acontece toda hora. O time se fecha por 1 semana no interior (se for um time de SP, será em Atibaia) e espera recuperar o trabalho de 1 ano em 1 semana. No jogo seguinte, a derrota, geralmente com fatos citados no item 6 acima, vem, e frustra todo mundo.
  10. Apoio da torcida – a torcida tende a apoiar e frequentar mais o estádio em épocas de crise. Mas o estádio lotado, quando o gol não sai, vira uma panela de pressão. Para quem já está no olho do furacão, vira um buraco do qual o time não consegue sair.

E você? Concorda com os itens listados? Acrescenta algum outro item? Deixe seu comentário.

Algum time tem seguido este roteiro no Brasileiro 2017? Qual?

Abs!

Rafael Sugiyama

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Rafael Sugiyama

Palmeirense fanático, analista de sistemas, casado com a mulher mais bonita do mundo, Camila, e pai do Arthur, da Giovanna, da Laura e da Maya, nossa golden. Amante de futebol, irrito muito a esposa com os jogos da série C ou da Copa Verde que gosto de assistir. Gosto de números e escrevo sobre tudo.

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