A (des)governança Tricolor!

Há quase dois anos atrás, escrevi um texto chamado a desgovernança tricolor e advinhe: nada mudou!

Estamos desde 2009 vivendo a pior crise do clube! Uma das páginas mais vergonhosas da história do São Paulo Futebol Clube foi escrita hoje com a eliminação na fase da Pré-Libertadores para o limitadissímo Talleres.

Abaixo, sem qualquer edição, transcrevo o texto pois infelizmente tudo continua na mesma…

Não é de hoje que você e eu, caro torcedor são paulino, sabemos que o Tricolor mais querido do mundo, que auto-intitulou-se SOBERANO há alguns anos atrás, não ostenta mais esse título.

Eu particularmente nunca gostei do mesmo, apesar de que como torcedor apaixonado achar sim que o São Paulo Futebol Clube é o maior clube brasileiro. Credito isso a nossa rica e curta história no cenário futebolístico: somos o clube mais vitorioso e o mais jovem! E eu nunca creditei tal fato as péssimas administrações que se sucedem desde 2009, como os aproveitadores que criaram o título acreditavam, que eram os intocáveis da administração futebolística!

Como eu não tenho rabo-preso com ninguém posso declarar: O São Paulo Futebol Clube está perdido. A (des)governança é TOTAL!

Segundo o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança, Governança Corporativa é:

“O sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. 

As boas práticas de governança corporativa convertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum.”

Você enxerga algum traço da definição acima no ATUAL São Paulo? Aquele clube que outrora foi modelo de gestão?

A despeito de termos mais de vinte e poucos milhões de torcedores espalhados Brasil a fora e termos um orçamento multi-milionário envolvido, o São Paulo Futebol Clube é uma instituição privada sem capital aberto a investidores e/ou seus pitacos. É um clube social como está no nome desde a sua fundação, e que é controlado pelo mesmo grupinho há anos e anos a fio. Não existe governança ou gestão profissional e nem existirá enquanto formos apenas “um clube”. Contas maquiadas e escândalos vão continuar acontecendo visto que não existe cobrança. Eu e você não podemos fazer nada! Essa é a triste realidade.

Para finalizar, o excelente portal arquibancada tricolor, recentemente fez uma imagem que “desenha” a bagunça que vivemos em termos de gestão:

Obviamente eu sou um apoiador do #ForaLeco porém apenas isso não irá resolver nada, afinal desde o finado Juvenal Juvêncio, estamos no 3° presidente e o que de fato mudou? Nada! E nem irá mudar. O clube não tem um ambiente saudável para ter uma oposição forte e que fiscalize o que é necessário.

Seria muita presunção minha dar uma solução definitiva para o clube, porém com certeza isso passa pelo que estamos cansado de ver na Europa, e elogiamos a plenos pulmões nas conversas de bar: a formação de um Clube-empresa!

Clubes empresa são comuns no esporte norte-americano e em diversos países da Europa, mas ainda são raros no futebol sul-americano. Novamente, não sou o bastião da verdade, e sei que mudanças como essa passam também pela estrutura do futebol nacional e precisam de apoio de outros players, sejam clubes, entidades, jogadores e etc.

Por exemplo a criação do sistemas de ligas, onde essas ligas esportivas profissionais locais atuam sob a forma de franquias, onde cada clube é uma empresa que detém um percentual das ações da liga, que é, por sua vez, uma empresa maior, que gere as competições entre suas afiliadas. Exemplos como Premier League, MLS e Lega Serie A, na Inglaterra, Estados Unidos e Itália respectivamente, são modelos a seguir.

Outra fator de mudança que é vital: sócios torcedores adimplentes deveriam poder votar e quiça até se candidatarem a posições dentro do clube, desde que comprovadamente fossem competentes para tal! Não sei exatamente como isso poderia ser legalmente casado com um clube empresa, porém não podemos deixar decisões de eleger conselheiros e afins na mão de mais ou menos 3 mil sócios, que muitas vezes frequentam apenas a parte social do clube.

Deixo aqui um convite caro leitor: Se você que estiver lendo entender mais do “juridiquês” e quiser escrever um texto explicando como o São Paulo poderia se tornar um clube empresa e se separar da sua parte social, fique a vontade! Terei o maior prazer em publicar e divulgar sua coluna neste espaço!

Precisamos resgatar as tradições do São Paulo Futebol Clube. É  impossível pensar que na década de 90, estávamos anos luz de nossos rivais, ao fazer coisas básicas, porém impensáveis na época, como por exemplo: pagar os jogadores em dia, investir em CTs de categoria de base, ter um estádio próprio, investir em bons profissionais extra campo como médicos, fisiologistas, realizar ações de marketing e etc. Todos os nossos grandes rivais ou já nos ultrapassaram nesses quesitos ou estão no minimo no mesmo nível.

Tudo na vida evolui e  precisamos de mudanças estruturantes, e não ficar reféns de membros notáveis da diretoria, que irão surgir de 20 em 20 anos para colocar a casa em ordem! O São Paulo Futebol Clube é grande demais para ser refém do acaso.

E você torcedor, o que acha?

Deixei suas opiniões e sugestões nos comentários abaixo! Quem sabe alguém da nossa amada diretoria resolva ler esse texto e pensar fora da caixa trazendo o São Paulo novamente ao protagonismo nacional?

Ou será que apenas 20 cabeças continuarão a dar idéias aos nossos dirigentes?

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Fernando Michelutti

São Paulino desde 30 de maio de 1982 - O São Paulo Futebol Clube foi, e continua sendo, sua primeira paixão na vida. É fanático por futebol e se deixar assiste até a 6° divisão do campeonato inglês naquele sábado chuvoso com direito a mesa redonda e replay dos gols. Tem como hobby colecionar camisas de clubes nacionais e internacionais, além de visitar estádios e sedes de clubes sempre que esta viajando ao redor do globo. É casado com a Santa Raquel - que nunca foi enganada sobre seu primeiro amor. Também é pai da Duda, do Dani e do Pedro - uma nova geração de são paulinos que vem forte rumo ao Hepta. Agora, junto com grandes amigos, também é blogueiro aqui no papo de arquibancada!

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