Neymar cai… em desgraça

Por Alysson Cardinali

Neymar, hoje, é o exemplo vivo de como se desconstruir um mito – pelo menos fora dos gramados. Craque incontestável com a bola nos pés, o ‘menino’, em mais uma ‘travessura’, conseguiu algo ainda pior do que perpetuar a imagem de suas quedas cinematográficas durante a Copa do Mundo. Não bastasse a fama de cai- cai aflorada na Rússia com a camisa da seleção brasileira, ele esbanja arrogância em um vídeo no qual pede desculpas pelo papelão dado na principal competição
de futebol do planeta – com o aval e a benevolência de um de seus patrocinadores, que deveria zelar pela imagem do camisa 10.

Em horário nobre, Neymar aparece durante um dos comerciais do Fantástico, domingo à noite, e mostra que o show da vida pode ter cenas intermináveis de… falta de auto-crítica. De forma patética, pedante, inaceitável e inacreditável, o jogador se perde em clichês e em um discurso nada convincente e muito artificial. No video, de pouco mais de um minuto e meio, diz ‘pérolas’ como “demorei a aceitar críticas” e “Eu não caí, eu desmoronei”.

O discurso ainda tem outras asneiras – “dentro de mim ainda existe um menino. Às vezes ele encanta o mundo. Às vezes ele irrita todo mundo. E minha luta é para manter esse menino vivo” – e, no fim, beira a presunção: “Só quem cai pode se levantar. Você pode continuar jogando pedra. Ou pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. Porque quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo”. Ou seja, a humildade em pessoa.

A repercussão mundial, obviamente, foi a pior possível – basta dar um clique nas redes sociais para enxergar a realidade. Neymar, mais uma vez, esbanjou talento para marcar outro gol contra e queimar o filme de sua carreira mundialmente. “Eu demorei a me olhar no espelho e me transformar em um novo homem”, diz o jogador, no fatídico comercial. Visão, porém, é o que falata não só ao craque, mas a quem gerencia sua carreira. Neymar, literalmente, caiu de novo… em desgraça.

Eis a fala de Neymar (na íntegra):

“Trava de chuteira na panturrilha, joelhada na coluna, pisão no pé. Você pode achar que eu exagero. E às vezes eu exagero mesmo. Mas a real é que eu sofro dentro de campo. Agora, na boa, você não imagina o que eu passo fora dele. Quando eu saio sem dar entrevista não é porque eu só quero os louros da vitória, mas é porque eu ainda não aprendi a te decepcionar. Quando eu parecer mal criado, não é porque eu ainda não aprendi a me frustrar.

Dentro de mim ainda existe um menino. Às vezes ele encanta o mundo. Às vezes ele irrita todo mundo. E minha luta é para manter esse menino vivo. Mas dentro de mim, e não dentro de campo. Você pode achar que eu caí demais. Mas a verdade é que eu não caí. Eu desmoronei. E pode acreditar, isso dói muito mais que qualquer pisão em tornozelo operado. Eu demorei pra aceitar suas críticas.

Eu demorei a me olhar no espelho e me transformar em um novo homem. Mas hoje eu estou aqui, de cara limpa, de peito aberto. Eu caí. Mas só quem cai pode se levantar. Você pode continuar jogando pedra. Ou pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. Porque quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo.”

Comentários do Facebook

Deixe uma resposta