Que sufoco, hein Brasil?

A primeira impressão na estréia deixou todos os torcedores apreensivos e ao mesmo tempo na expectativa de vermos uma seleção brasileira com mais brio, mais organização tática e principalmente, com maior controle emocional para trabalhar as jogadas até chegar no gol adversário.

Ficou só na expectativa.

De última hora, a seleção de Tite sofreu baixa na lateral direita, a segunda perda em pouco mais de um mês para uma mesma posição. Após o corte oficial de Daniel Alves que era homem de confiança para o lado direito da zaga, nas vésperas do jogo Tite perdeu sua segunda opção, Danilo com uma lesão muscular. Emseu lugar, o criticadíssimo Fagner teria uma chance de ser titular, logo em um jogo carregado de tensão.

Todos os olhos do planeta voltados para o pontapé inicial entre Brasil x Costa Rica e bola rolando. Brasil começou o jogo tentando se impor com finalizações de fora da área e mantendo o controle do jogo. Costa Rica seguindo a risca o roteiro antes desenhado por seu técnico durante a coletiva. Retrancada lá atrás, esperando uma bola certa vinda de um contra ataque rápido, que por sinal teve a melhor jogada do primeiro tempo justamente seguindo essa tática. Mesmo tendo mais finalizações, mais controle de bola o Brasil persistia com os mesmos erros de sua estréia. Jogadores de ataque prendendo exageradamente a bola, principalmente com Neymar e William, e Gabriel Jesus que até brigava com os zagueiros costa-riquenhos mas não conseguia finalizar a gol.

Enquanto o povo brasileiro assistia mais um desempenho ruim, me custava acreditar que uma seleção que trucidou seus adversários nas eliminatórias, sofria para furar a retranca e manter o controle emocional contra a fraca seleção da Costa Rica.

Fim do primeiro tempo, e o placar mais evidente para o final do jogo se mostrava ser o do empate em zero a zero.

Tite visivelmente descontente e insatisfeito com o desempenho, voltou do intervalo sacando William e colocando Douglas Costa na ponta direita. A seleção verde e amarela melhorou e muito! A mexida permitiu que o Brasil abrisse mais espaço no ferrolho montado pelos costa riquenhos e o Brasil passou a acertar mais o gol defendido por Keylor Navas. Porém, mesmo com a pressão e o maior número de chutes a gol, a bola insistia em não entrar. Após cruzamento de Fagner, G.Jesus cabeceou no travessão, e depois Neymar perdeu uma chance cara a cara com o goleiro, em raro momento em que não se via nenhum defensor em nosso caminho ao gol.

 

                                                              Imagem: globoesporte.com

 

Até o VAR entrou novamente em ação, e novamente contra a seleção brasileira. Neymar recebeu dentro da área, cortou o zagueiro e foi segurado. Apesar de uma certa forçada no lance, o pênalti realmente existiu já que o zagueiro adversário impede o prosseguimento da jogada. O árbitro, de frente pro lance, marcou a falta porém voltou atrás após revisar o lance com a nova tecnologia.

Os minutos passavam, e a agonia brasileira aspirava aos vistos em nossos hermanos no dia anterior.
Tite arriscou e tirou Casemiro, perdido em campo, e colocou Roberto Firmino. Minha primeira impressão com essa alteração foi de que nosso técnico poderia estar cedendo ao desespero ao tirar um volante e colocar mais um centroavante, mas analisando a postura defensiva da Costa Rica, o Brasil precisava se lançar ao ataque já que mais um empate complicaria muito a situação no grupo E.

E foi somente aos 46 minutos do segundo tempo, que a bola chegou até as redes para os canarinhos. Marcelo cruzou alto pela esquerda, Firmino ganha pelo alto, Jesus tenta dominar mas a bola sobra para Phillipe Coutinho, que de bico fez soltar o grito de gol entalado na gartanta de 200 milhões de pessoas.

 

                                                           Imagem: FIFA via Getty Images

 

Com o alívio do peso que o Brasil carregava, a seleção passou a ter um pouco mais de confiança e conseguiu segurar com maior tranquilidade o resultado. Tite logo colocou Fernandinho pra ajudar nessa missão.
E já no apagar das luzes, a seleção brasileira rouba a bola no meio de campo, Douglas Costa recebe pela direita e cruza para Neymar livre na área que só completou para as redes.

O alívio da pressão foi tanto, que ao final do jogo Neymar se ajoelha e vai às lágrimas.

 

                                                                               Imagem: globoesporte.com

 

Teatro ou não, fato é que ele vem recebendo críticas de todos os lados e o gol pode ter sido o que faltava para ele mostrar seu melhor futebol nos próximos jogos. A boa fase de Coutinho, que por sinal tem se mostrado o jogador mais equilibrado nesse inicio de copa do nosso setor ofensivo, pode inclusive ajudar a tirar um pouco o foco que Neymar tem recebido e que na minha opinião ainda não tem maturidade suficiente pra ser o protagonista do hexa. Sentiu muito a pressão em ser o cara da seleção, demonstrando muita ansiedade e nervosismo, discutindo constantemente com o árbitro.

Enfim, uma das vitórias mais sofridas das últimas participações brasileiras em fases de grupo, mas de fundamental importância para dar tranquilidade aos jogadores pra partida decisiva contra a Sérvia, quarta-feira às 15h em Moscou.

Abraços.

André Marcelino.

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