¿Qué pasa, Barça?

 

Na história do futebol há times que se mantiveram vencendo por um longo período consecutivo e construíram verdadeiras eras no esporte. Times que marcam época e que mantém seus feitos inesquecíveis, tornando-se icônicos não somente pelas grandes vitórias e taças, mas principalmente porque representam uma ruptura, um novo modo de jogar coletivamente, ou a conjunção de fatores que superam o entendimento. Parece que o que se conhecia por futebol antes daquilo, não é mais válido. É a sensação de que essa força coletiva é imparável e que as vitórias são apenas consequência de uma dominação e supremacia tão nítida, quanto inevitável.

Resultado de imagem para santos pele coutinho pepeEsta descrição se aplica a alguns times na história. Ao Real Madrid, pentacampeão europeu de Kopa, Di Stefano e Puskás dos anos 1950, ao Santos de Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe na década seguinte, à seleção brasileira de 1970 e ao Flamengo de Zico nos anos 1980, para ficar em alguns exemplos. Times que marcaram época e serão eternamente reverenciados por seus feitos.

Feitos esses, que muitos dos amantes do futebol atual ainda não haviam nascido para presenciar e conhecem apenas através da história contada e recontada por nossos pais, avôs e pela televisão. Por sorte, há uma dessas equipes que todos nós pudemos ver e que contaremos para nossos filhos e netos, além do Youtube que terá milhões de horas para mostrá-la à exaustão – falo do Barcelona dos últimos dez, quinze anos. Do Barça de Rijkaard e Ronaldinho, passando para Guardiola e Messi na sua versão aprimorada e finalizada pelo trio de letra “MSN”, de Messi, Suarez e Neymar, que assim como o velho comunicador dos anos 2000, teve seu auge e rapidamente passou a não mais existir.

Tivemos a sorte de presenciar o renascimento de um dos clubes mais importantes do mundo, que no começo dos anos 2000, tinha seu maior rival com o apelido de “galático”, enquanto tinha módicas apresentações mesmo em âmbito espanhol. De 1999 a 2004, nenhum título nacional, enquanto seu Rival fazia a festa na Espanha e na Europa. Até que veio Ronaldinho, Eto’o e Deco para liderarem um novo Barcelona de ofensividade e magia que reconquistou a Europa em 2006.

Seu auge foi mesmo a partir de 2008, já sob a batuta de Guardiola. Um time que vencia por dominação completa, por pontos e por nocaute. Por negar a bola a seu adversário, trocando passes com Xavi, Iniesta, Messi, Dani Alves até o espaço aparecer para a pulga finalizar. A superioridade era tão grande que o jogo por muitas vezes se tornava monótono, como música de uma nota só. O jogo que vinha desde a base catalã, não deixava dúvidas de quem ganharia, era só questão de tempo. Em 2009 e 2011 mais duas Ligas dos Campeões para a conta. Não sem antes de imprimir tão fortemente seu legado, a ponto de fazer a seleção espanhola protagonista. Com a base barcelonista e o conceito de triangulação, posse de bola e dominação com marcação pressão tão treinados diariamente, a Copa do Mundo na África foi uma mera consequência.

Já com um time mais vertical e dependente de seu ataque, o Barça voltou ao protagonismo apenas em 2015, com o trio sul-americano triunfando novamente na Europa.

Seu rival aprendeu, e atualmente o domínio é madrilenho, com seu meio campo que está no campo inteiro, de Casemiro na recuperação à Modric e Kroos na geração de jogo, com a genialidade de Cristiano Ronaldo à frente, na definição. A vitória de ontem na Supercopa espanhola é daquelas que não deixa dúvidas de que seu rival mantém a base vencedora de três das últimas quatro Ligas dos Campeões e achou o caminho, perdido em Barcelona.

Se há muito dinheiro depois da saída de Neymar para ajudar na reconstrução de um combalido clube, há também dúvidas quanto às decisões que se toma por lá. A perda de Daniel Alves, somada a vinda de nomes que não combinam com a filosofia do clube como Paco Alcácer, André Gomes, e agora com a fortuna usada para a compra de Paulinho, mostra que o caminho das glórias pode estar mais distante.

Resultado de imagem para neymar psgSe há dezessete anos, quando numa demonstração de poderio financeiro, seu maior rival tirou Luis Figo, o Barcelona conseguiu se reerguer olhando para sua base e filosofia, hoje com a saída de Neymar por uma quantia pornográfica, o clube parece não se comportar da mesma maneira, querendo esbanjar como um milionário. O gol de Asensio, rival criado na base madrilista pode indicar que o caminho da felicidade não é o de milhões em dúvidas, mas a certeza de que, dentro de casa se pode encontrar o que é preciso para ser feliz.

 

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