Precisamos falar do Botafogo

Gatito Fernández, Arnaldo, Joel Carli e Victor Luis; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, João Paulo e Marcos Vinícius; Rodrigo Pimpão e Roger. Com algumas alterações pontuais aqui e ali, esses são os titulares do Botafogo hoje. Aí te pergunto, caro leitor: Você queria algum destes de titular no seu time? Você trocaria seu badalado 9, seja ele qual for, pelo já rodado Roger? E seu ponta habilidoso, pelo voluntarioso Pimpão? Creio que não.

E se eu te lembrasse que esse time eliminou da Libertadores os campeões Colo-Colo e Olímpia em mata-mata e se classificou em primeiro lugar num grupo com o atual campeão (Atlético Nacional), com o Barcelona (QUE) e o tradicional Estudiantes? Também não?

Que tal se eu dissesse que o temido Nacional uruguaio foi batido em pleno Centenário na partida de ida das oitavas de final? É, veja bem…

O Botafogo pode até, por falta de elenco ou por cansaço, deixar a classificação escapar no Rio de Janeiro (e o jogo deste domingo contra o São Paulo é um exemplo de que o futebol muitas vezes é imprevisível), mas esse time já fez história. Com um orçamento muito inferior a maioria dos grandes clubes brasileiros, já percorreu um caminho bonito e memorável neste ano e junto com o Corinthians, líder do brasileiro, sejam as grandes surpresas do ano no futebol brasileiro.

Além dos onze já citados, é fundamental citar a liderança de Jair Ventura no comando alvinegro. O treinador, que vinha de trabalhos na base do clube, assumiu o elenco principal em Agosto do ano passado, após a saída de Ricardo Gomes do clube que se encontrava na 17ª posição no Brasileirão, na zona do rebaixamento e, numa arrancada improvável, terminou a competição em quinto lugar, levando o clube de volta a Libertadores.

Para este ano, o clube buscou Montillo para dividir a armação do meio-campo com Camilo, destaque do time no ano anterior. Passados 7 meses do ano, ambos já não estão mais no clube, o argentino por problemas físicos e Camilo por má fase técnica, que foi jogar a série B pelo Internacional. E apesar disso, o clube se mantém em sétimo lugar na tabela, além de seguir na disputa da América.

Como explicar? Simples, a equipe troca as peças, mas a organização se mantém. O jogo de pressão baixa, transição rápida pelas pontas (ora com Pimpão, ora com João Paulo) e com muita presença dos volantes como elemento surpresa (ora Bruno Silva, ora com Lindoso). O Botafogo é o segundo time que mais desarma no campeonato, atrás apenas do Sport e conta com um time em que todos se dedicam à marcação e muitos finalizam. Contra o São Paulo, por exemplo, o terceiro gol é emblemático neste sentido: Joel Carli divide e ganha a bola antes do círculo central, a bola é lançada na ponta direita para Luis Ricardo, que levanta a cabeça e vê dois jogadores na área e Guilherme entrando, pelo meio para só completar o passe para o gol.

Num futebol de cenário cada vez mais equilibrado, com alguns times com elencos mais numerosos e estrelados, o equilíbrio e a organização do Botafogo chama atenção. De um clube que vivia disputando apenas a permanência na série A, o trabalho de Jair Ventura merece elogios. Se não possui jogadores para cadenciar o jogo ou trocar inúmeros passes, faz da eficiência sua marca. Contra o São Paulo foram apenas sete finalizações para três gols. Pode não ser suficiente para ganhar a Libertadores. Pode faltar elenco nessa maratona que passa apenas da metade agora. Pode faltar capacidade inventiva numa situação de inferioridade, com o outro time atrás da linha da bola, precisando reverter um placar. Pode tudo isso. Mas pode também surpreender os gigantes da América como tem feito. Um time de Roger e Pimpão pode chegar? Os resultados até aqui indicam que não se deve duvidar.

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